Por que o CEO de sofá prejudica a credibilidade do empreendedorismo

Apresentações magníficas no PowerPoint, site em HTML5 e jargões em inglês. Porém está rodando a empresa direto do seu quarto. Essa é uma realidade cada vez mais presente no nosso país: a do CEO de sofá.

Com o surgimento do MEI (Microempreendedor Individual), virtualmente qualquer pessoa pode ter um CNPJ em apenas 30 minutos, com um custo mínimo de manutenção. O resultado: o número de empresas explodiu e, consequentemente o número de CEOs.

Para quem não sabe, o termo CEO vem do inglês “Chief Executive Officer”, e descreve a posição mais alta de uma corporação e que é responsável por gerenciá-la. A grosso modo, o CEO é o presidente da empresa. Porém, tradicionalmente, o termo designava grandes empresários, responsáveis pela gestão de empresas multimilionárias.

Agora, qualquer um pode se autodenominar CEO da sua empresa, o que desvalorizou largamente o sentido da expressão, em especial no Brasil. Como assim? Simples: no mundo corporativo não há ingênuos. Não há forma de tentar parecer ser um tubarão quando se é um peixinho dourado.

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A aplicação do termo CEO está errada?

Bom… Sim e não. A rigor, uma pessoa que toma as decisões de uma empresa – seja ela de qual tamanho for – não deixa de ser o diretor executivo. Entretanto, na prática, a existência de um CEO pressupõe que haja um Conselho Administrativo, Diretores e demais funcionários para serem chefiados. É o Conselho que normalmente elege o CEO.

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O João aqui diz que é comandante de navio. Você contrataria ele para pilotar seu navio cargueiro?

 

Então, ainda que teoricamente não seja um erro, na prática é uma forçação de barra querer virar um CEO do dia para a noite com apenas 20 anos. Ainda mais quando a “empresa” é uma conta no Mercado Livre e o único funcionário é um paquistanês que fez uma logo estilosa no Fiverr.

Você acha que eu estou exagerando? Joga “CEO” lá no campo de busca do Linkedin. Só no Brasil são mais de 40 mil! Além disso, nosso país tem mais de 17 milhões de empresas. Imagina se todos os donos resolvessem se chamar de CEO. Teríamos mais ou menos 1 a cada 15 pessoas no país com o pomposo título.

Acontece que, apesar de estar se iludindo, o CEO de sofá não está enganando ninguém. Quando você tem uma empresa com poucos funcionários (isso quando sequer tem algum) ou com uma receita muito pequena, a única coisa que você transmite para as outras pessoas se chamando de CEO é que você tem um ego  muito grande. E isso pode mudar totalmente a percepção de como os outros te veem e te custar potenciais negócios.

E o pior: não é só a credibilidade do indivíduo que fica abalada. A de todos os  outros empreendedores também, que acabam pagando um preço por tabela.

E como isso está destruindo a credibilidade do empreendedorismo?

pulseirinha-amarela-silicone-livestrongSe você tem acima de 25 anos, muito provavelmente vivenciou o período das pulseirinhas amarelas de silicone Livestrong. Originalmente criadas para conscientizar as pessoas sobre o câncer, logo elas se tornaram modinha e viraram símbolo de status. De início, só possuía uma quem viajava para os Estados Unidos (o que na época ainda não era muito popular).

E o que aconteceu? Quem realmente usava porque estava engajado na luta contra o câncer sofreu zoações de pessoas que os acusavam de fazer parte da moda e da turma dos metidos.

Com o CEO de sofá não é muito diferente. Devido à abundância de pessoas se auto denominando CEO, acabamos botando no mesmo grupo o José Silva, CEO do blog do José Silva, o Pedro, CEO da barraquinha de pipoca e o Tim Cook, CEO da Apple. E isso faz com que executivos sérios do mercado achem que empreendedores só estão preocupados com as aparências e em botar um título no seu currículo.

O termo CEO pode parecer bonito. Mas, quando mal utilizado, é igual a um relógio falsificado – você não quer ser pego usando um para não pagar mico.

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Não são todos que podem entrar no brinquedo. Tem que ter altura suficiente.

Alternativas para o CEO de sofá 

Eu não quero parecer arrogante. Também não sou especialista em gestão de carreiras para dizer como uma pessoa deve gerir a sua própria.

Porém, escrevo isso porque já passei pela situação de achar que eu era importante só porque eu tinha uma empresa, quando eu era mais novo. Mal eu sabia que os verdadeiros big winners estavam rindo por trás de mim.

Atualmente, eu entro em contato com dezenas de profissionais de vários backgrounds toda semana. Com isso, acabei aprendendo a diferenciar facilmente um CEO de sofá de um diretor executivo de verdade. Não é nada difícil, basta jogar a empresa dele no Google. Na maioria das vezes nem aparece na primeira página de resultados.

E, se até eu consigo, pode ter certeza que qualquer profissional de respeito no mercado é capaz também.

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Mas não se preocupe, há uma forma de você resolver isso e, de quebra, colaborar com todos os outros empreendedores. A solução é muito fácil: SEJA HUMILDE!

As pessoas não são trouxas, elas sabem quem é muito vaidoso e está querendo enganá-las. Todavia, se você for humilde, isso irá contar muito mais pontos para elas do que você tentar se passar por um mega executivo de sucesso.

Você deve ser valorizado pelo que faz e entrega, e não pelo que alega fazer. E, de forma geral, pessoas valorizam a humildade. Acredite!

Se a minha mensagem ainda não está clara, invoco a seguinte sabedoria popular para explicar: mais vale ser cabeça de burro do que rabo de leão!

Sugestão de títulos

Suponha que sua empresa seja uma sorveteria. Não se defina como “CEO da Tutti Gelati”, o que qualquer pessoa com 2 neurônios sabe que não é nada factível. Como alternativa, pense em trocar por “Gerente Financeiro da Tutti Gelati”. Além de ser mais clean e de mostrar sua especialidade (finanças), as outras pessoas iriam depositar muito mais confiança em você.

E o José Silva, que é CEO do blog do José Silva? Por que não trocar por “Dono de um blog de viagens com mais de 50 mil visualizações mensais”? Se eu tivesse uma agência de viagens, por exemplo, nunca em anunciaria com alguém que se denominasse CEO de blog. Mas certamente a segunda headline me atrairia bastante.

P.S.: Como sei que receberei alguns comentários me criticando, já adianto uma coisa. Não estou aqui para julgar o que é certo ou errado, nem para competir quem é melhor ou pior. Só estou repassando uma experiência que eu já tive e alertando para algo que pode estar prejudicando muitos jovens sérios que querem empreender. Portanto, se você está satisfeito com seu título, é o que importa!

 

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